quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Prece à Filha de Marte

Posto que é chama não cabe à ela a eternidade, não lhe desperta o interesse pelo contínuo e duradouro. O que mais valor tem é o aqui e o presente. Mas ainda que forjada do fogo, é forte, de ferro, valente. De sangue quente, cabeça dura e pés descalços.  

- Dai-me, oh filha de Marte, a Graça do teu corpo. Da tua pulsação conceda que eu faça parte. Que da tua pele febril eu seja visita frequente. Dai-me a honra das tuas carícias violentas receber. Que a satisfação minha, seja às tuas conceder.

Do líquido quente que dela brota, eu seja dele o mais embriago dos mortais. Que de seu grito exasperado os meus ouvidos sejam abastados. E que de sua intensa e impulsiva presença, eu seja, não sempre, mas frequentemente contemplado.


Amém.

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