Eu que não amava, quero acordar do seu lado num domingo de manhã, com a nossa coberta de pingüins jogada no chão e o seu abraço sendo meu único abrigo. Quero ver você me olhar entre um gole de café e outro, sem nada para dizer, e apenas sorrir antes de voltar a folhar o caderno de cultura. Quero a sua mão no meu cabelo, dentro do carro, no caminho pra nossa casa. Quero te ver deitar no sofá e me vendo cuidar das plantas, rir da forma como eu lavo a mão depois de mexer na terra. Quero que coloque aquele lp de blues italiano e deixe tocar, enquanto discutimos sobre o que pedir pro jantar. Quero que me chame pra alcançar o controle remoto e que, sem mais nem menos, você me puxe pelo braço e me jogue sobre a bagunça, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra pessoa. Quero deitar do seu lado na rede, olhando a lua e ouvindo você me contar sobre qual baixo é melhor pra tocar qual música. Quero escutar você falar do futuro e sobre como a gente vai ter que dividir as contas até eu ganhar a coluna principal e você arranje outro sócio. Quero que você ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale da casa que teremos no campo. Quero que você a descreva em detalhes, que fale do jardim que construiremos, e dos cachorros que compraremos. E que faça tudo isso enquanto passa a mão nas minhas costas e me beija o pescoço. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para os poucos amigos, como se ela tivesse sido a mais bela e esquisita história de amor da sua vida. Quero que você nunca mais deixe de pensar em mim, porque desde o momento que vejo a sua sombra dobrando a esquina até a sua volta me dói tanto, que só de imaginar que seja platônico me desespera. Eu que não amava quero, egoísta e ridiculamente, ser o amor da sua vida.
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