algum dia do inverno.
Ontem abri um dos meus cadernos da época de quando eu comecei a escrever. Notei a falta categórica de pontuação, texto sem muita tessitura e coesão, um monte de frases clichês sobre amor e sofrimento típico adolescente. Mas, mais do que reparar no teor da minha escrita, admirei que naquela época o ato de escrever era meu melhor momento. Não é como se eu não tivesse amigos e família, mas eu gostava de ficar comigo, gostava de estar ali. Gostava de ser Valerie.
Talvez a falta de tempo, a faculdade, os compromissos, tenham deixado esse meu exercício meio que de lado. Não só ele. Conforme eu folheava as páginas do meu caderno e lia meus poemas e pequenas narrativas, notava o quanto de mim ficou lá. O quanto eu guardei de mim em tinta, grafite e papel. Quantas histórias sobre Valerie eu deixei de lado.
Lembro que quando eu me sentava pra escrever, eu gostava de imaginar que eu faria aquilo pra ganhar dinheiro algum dia. Hoje, quase 10 anos depois do primeiro caderno que eu enchi dos meus pensamentos, tenho vontade de me pedir desculpas. Eu não ganhei dinheiro algum escrevendo. Muito menos fiquei famosa ou fiz disso o meu ofício.
É preciso ter honestidade em dizer que: eu sinto muito por não ter tido coragem suficiente pra não ter seguido meus sonhos daquela época. Sinto mais ainda por ter me tornado alguém que eu não queria ser. Mas saiba, Valerie, que sigo escrevendo. Não sobre mim, sobre amor ou sobre qualquer tragédia. Sigo escrevendo porque é assim que sei quem eu sou.
não há tempo
nem segundas chances
muito menos recomeços
vai.
a vida é
gipsy
Apenas seguimos a perguntar se as crianças que fomos sentiriam orgulho do adulto que nos tornarmos...
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