segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

not going away.

'Get out of my way. There's nothing you can do to change what I say. I won't ever let go. I've got the answer, but you'll never know. I got my eyes opened wide ain't gonna slip up or slide can't take me down,after all I'm still crazy.'


A Trajano continua a mesma desde a última vez em que eu estive aqui, exceto pelo cavaletes de proteção em frente ao tradicional Bar da Produção, que teve seu teto destruído pelo muro do vizinho, e agora encontra-se em reforma. Mas ainda estão lá os viciados da esquina, os bares que vendem cerveja barata e os seus frequentadores sentados nas calçadas. Não fosse por aquela portinha que vende uma pizza a preço de banana, que na verdade nem gosto de pizza tem, mas alimenta quem não consegue um lanche do Rock a' Burguer por ser tarde demais, a noite seria igualzinha a qualquer outra. Entramos eu e mais uns amigos lá naquela fila de famintos por um pedaço de qualquer coisa que tirasse o gosto de cerveja da boca. E então eu a vi, digo, ouvi. Podia ser uma vadia como cem mil outras. Podia ser tão vulgar quanto qualquer outra mocinha que estivesse indo ao Mistura Brasil, mas não, essa cadela decidiu estar lá, atrapalhar tudo. Escolheu me acompanhar dia após dia, independente do momento. Enquanto eu tentava guardar os meus pensamentos dela, alguém gritou o meu nome e me mandou prestar atenção no que estava tocando. Eu senti toda a minha armadura de felicidade posta ao chão. Senti cada centímetro meu arrepiar-se. Era, de finitamente, ela. Toda sua postura, toda sua personalidade, toda sua verdade.

- Esse bar fede. Essa gente fede. Como é que nós viemos parar aqui ? - ela irrompeu meus pensamentos.
- Saia, saia daqui ! Me deixa ! - eu não queria ouvir nada do que ela tinha a dizer.
- Se eu não ficar aqui você sabe que todos os seus amigos vão te deixar. Você viu isso, sabe o quanto eu sou importante. Você é que é uma bagunça, não eu.
- É claro que você nunca irá embora, isso faz bem pra você, seu ego engrandece toda vez que você pisa em alguém. Essa sua necessidade de ser estrela de todas as cenas, isso te faz ficar. E se quer saber, fique. Tome as rédias. Faça o que você precisar, seja a porra louca inconsequente que você é. Só te peço uma coisa, arque com as merdas que você faz, não me faça limpar a sua sujeira. - eu disse, tentando segurar o choro. - Mas que merda é essa ?! - alguém derrubou o copo e a bebida caiu toda em cima de mim.

Olhei pra baixo e os meus sapatos estavam todos respingados de alguma coisa que cheirava a coco. O cara que havia derrubado me pediu mil desculpas. Eu não estava nem ai pros sapatos, problema maior foi que ela se aproveitou do incidente pra ir embora. Me deixou ali com os sapatos sujos e com uma milhão de perguntas pra fazer.

Eu não queria mais continuar ali, entrei no primeiro táxi que me parecia confiável e aceitava cartão de crédito. Cheguei em casa, olhei-me no espelho perto da estante. É, eu continuava uma bagunça.



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