'O poeta é um fingidor' - Não que eu goste de poesia, mas essa é a premissa deste texto novo. Foi escrito de maneira diferente para comemorar as mais de 6.000 visualizações desse cantinho. Obrigada pessoal, mesmo. Espero que aproveitem a leitura !
Eu bati na porta enquanto olhava pros meus pés. Aquilo era loucura,
definitivamente. A porta se abriu e eu pude vê-lo para dentro da casa, eu
fiquei por alguns instantes lutando contra os absurdos que passavam na minha
mente até conseguir falar alguma coisa.
-Errrr...Oi... – eu tinha um certo receio de pronunciar as palavras
e alguma coisa do tipo ‘caraca, você é realmente bonito’ saísse da minha boca
- Tudo bem ?
- Oi, entra, tá o maior frio aqui fora. – ele disse tão seguro de
si, me causando uma inveja ímpar.
Conversamos sobre alguma coisa do tempo, mas eu estaria mentindo se
dissesse que lembro alguma coisa. Ele me pediu para que fossemos até o estúdio
para que me pudesse mostrar os itens novos que tinha comprado pra bateria, eu o
acompanhei olhando sem parar as costas largas dele. Havia uma porta coberta com
um tecido felpudo no fim do corredor uma maçaneta grande, quando ele a abriu
não vi nada além de uma janela minúscula que pouca coisa iluminava. Ele tateou
a parede e acendeu a luz. Era até confortável.
-Bom é aqui que eu costumo me divertir na maior parte do tempo. –
ele disse, orgulhoso de uma bateria meio montada, porque ele parecia estar
fazendo alguma manutenção.
- É bem bacana, dá pra fazer um barulho legal. – eu tinha que dizer alguma estupidez.
-Sim, as paredes são a prova de som, posso ficar aqui até a hora que
eu bem entender.
Não sei se falamos mais alguma coisa, pois em algum momento na nossa
conversa ambiente, ele segurou a minha cintura e embalada pelo clima que aquela
sala meio iluminada emitia, começamos a nos beijar.
Ela
estava perto agora, bem perto, onde o cheiro era o combustível pra ligar o
motor, pois se tem algo que me faz ir a mil é o cheiro, o cheiro do corpo
mesclado ao perfume jogado suavemente sobre a pele. Em meio a essa confusão de
cheiro, sentir e ouvir a respiração dela ainda leve e compassada, a temperatura
meio fria da pele, quase começando a suar por baixo da fina roupa,minha mão
sente cada relevo do corpo dela.
Caímos no chão que é revestido da
mesma textura da porta, é confortável, mas o atrito faz o corpo ficar quente
mais rápido e deixando nossos ânimos mais exaltados.
Aquela
respiração compassada dá lugar a uma respiração ofegante e rápida, a pele já
está mais quente e suada, o perfume dela exala ainda mais para dentro do meu
nariz. A minha mão se perde em partes do corpo dela, sem eu mesmo poder
controlar os movimentos que faço.
Essa
falsa pele, chamada roupa, vai sumindo aos poucos dando lugar a simplesmente a
pele quente e quase suada, o cheiro dela já toma conta do meu corpo, meu cheiro
já está nela também. Minha boca toca a dela, em movimentos leves, de leves a
desesperados, da boca, ao pescoço, do pescoço aos seios, que um pouco trêmulos
passam pela minha boca. Minha língua sente agora o gosto da pele dela. Minha
mão segura sua cintura, minha boca desce, a respiração é confusa demais pra
saber se é só uma simples respiração ou um gemido, minha respiração também
falha. Estou abaixo da cintura dela, suas mãos também me jogam pra baixo, me
empurram pra onde seria a vórtex de um furacão quase incontrolável. Minhas mãos
arrancam o frágil e pequeno tecido que ela veste.
- Ah ! - Eu grito talvez por
instinto, por prazer, a minha garganta seca.
Ela
pede mais, ela quer mais. Minha boca a toca bem devagar, sinto seu gosto. Já
molhada, ela sussurra,geme, tentando disfarçar seus gritos que ficam ali
engasgados nos sussuros. Minha língua vai chegando até aonde eu quero, minha
minhas mãos precisam ajudar minha boca. Bem devagar eu forço meu indicador,
fazendo um par perfeito com a minha língua. Ela esta molhada demais agora, meu
dedo escorrega levemente para dentro, e ela sussurra mais alto como se pedisse
mais.
Meus gritos estão contidos na
minha garganta. Mesmo que eu pudesse gritar sem incomodar ninguém, havia outros
sentidos que estavam mais aguçados do que o fala, não havia necessidade de se
falar nada.
Estou
perdido entre as suas pernas, ali agora é o melhor lugar do mundo, ali é onde
eu queria estar o resto da minha vida, mas por um tempo curto. Minha boca a
movimenta, ela segura minha cabeça e a única coisa que consigo fazer é
chupa-la, era a isso que se resumia tudo, minha boca ali nela.
Aos poucos, eu fui me entregando
ao momento, acompanhando o ritmo dele como podia. Tentando tomar um pouco o
controle.
Ela
fazia pequenos movimentos, deixando isso tudo ainda mais excitante, suas mãos
querendo tocar meu corpo também, suas mãos querendo segurar algo, segurar
aquilo que era o que interessava pra ela, pois nada mais cairia tão bem nas
suas mãos suaves, quentes e trêmulas. Eu subo meu corpo, suas mãos tiram minha
roupa, aquele volume está na frente dela, ela segura, e o sente ele seus dedos.
Está febril, duro, ela segura suavemente com movimentos precisos e toma
partido.
Você sorri pra mim com a
expressão mais desafiadora que consegue, segura o meu cabelo e força a minha
cabeça pra frente. Eu dou a velha risada, retendo agora o controle, tiro as
suas mãos de mim e te jogo no chão outra vez. Seguro
as suas bolas com uma mão, enquanto sinto o arrepio florescer na sua pele com a
outra. Passo a língua nos meus lábios devagar, enquanto movimento a minha mão
pela sua virilha. Meus lábios tocam carinhosamente a cabeça, enquanto
minha respiração cessa por alguns instantes, minhas mãos passeiam livremente
sobre a sua pele quente e arrepiada. Suas mãos não contém o impulso de forçar a
minha cabeça para dentro de você, minha língua
percorre todo o trajeto te fazendo fincar as unhas no meu cabelo, e respirar
profundamente e morder os lábios.
Ficamos ali degustando o ritmo frenético dos nossos corpos,
fazendo barulhos que ninguém, além de nós, ouvirá. Propagando o nosso cheiro de
prazer por todos os cantos daquela sala felpuda que guardará, agora, mais do
que sons mecânicos e instrumentais.
Texto escrito em parceria com Mário Oliva. Gratidão !
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