domingo, 22 de junho de 2014

tuning.

'O poeta é um fingidor' - Não que eu goste de poesia, mas essa é a premissa deste texto novo. Foi escrito de maneira diferente para comemorar as mais de 6.000 visualizações desse cantinho. Obrigada pessoal, mesmo. Espero que aproveitem a leitura ! 

Eu bati na porta enquanto olhava pros meus pés. Aquilo era loucura, definitivamente. A porta se abriu e eu pude vê-lo para dentro da casa, eu fiquei por alguns instantes lutando contra os absurdos que passavam na minha mente até conseguir falar alguma coisa.
-Errrr...Oi... – eu tinha um certo receio de pronunciar as palavras e alguma coisa do tipo ‘caraca, você é realmente bonito’ saísse da minha boca -  Tudo bem ?
- Oi, entra, tá o maior frio aqui fora. – ele disse tão seguro de si, me causando uma inveja ímpar.
Conversamos sobre alguma coisa do tempo, mas eu estaria mentindo se dissesse que lembro alguma coisa. Ele me pediu para que fossemos até o estúdio para que me pudesse mostrar os itens novos que tinha comprado pra bateria, eu o acompanhei olhando sem parar as costas largas dele. Havia uma porta coberta com um tecido felpudo no fim do corredor uma maçaneta grande, quando ele a abriu não vi nada além de uma janela minúscula que pouca coisa iluminava. Ele tateou a parede e acendeu a luz. Era até confortável.
-Bom é aqui que eu costumo me divertir na maior parte do tempo. – ele disse, orgulhoso de uma bateria meio montada, porque ele parecia estar fazendo alguma manutenção.
- É bem bacana, dá pra fazer um barulho legal. –  eu tinha que dizer alguma estupidez.
-Sim, as paredes são a prova de som, posso ficar aqui até a hora que eu bem entender.
Não sei se falamos mais alguma coisa, pois em algum momento na nossa conversa ambiente, ele segurou a minha cintura e embalada pelo clima que aquela sala meio iluminada emitia, começamos a nos beijar.
Ela estava perto agora, bem perto, onde o cheiro era o combustível pra ligar o motor, pois se tem algo que me faz ir a mil é o cheiro, o cheiro do corpo mesclado ao perfume jogado suavemente sobre a pele. Em meio a essa confusão de cheiro, sentir e ouvir a respiração dela ainda leve e compassada, a temperatura meio fria da pele, quase começando a suar por baixo da fina roupa,minha mão sente cada relevo do corpo dela.
Caímos no chão que é revestido da mesma textura da porta, é confortável, mas o atrito faz o corpo ficar quente mais rápido e deixando nossos ânimos mais exaltados. 
Aquela respiração compassada dá lugar a uma respiração ofegante e rápida, a pele já está mais quente e suada, o perfume dela exala ainda mais para dentro do meu nariz. A minha mão se perde em partes do corpo dela, sem eu mesmo poder controlar os movimentos que faço.
Essa falsa pele, chamada roupa, vai sumindo aos poucos dando lugar a simplesmente a pele quente e quase suada, o cheiro dela já toma conta do meu corpo, meu cheiro já está nela também. Minha boca toca a dela, em movimentos leves, de leves a desesperados, da boca, ao pescoço, do pescoço aos seios, que um pouco trêmulos passam pela minha boca. Minha língua sente agora o gosto da pele dela. Minha mão segura sua cintura, minha boca desce, a respiração é confusa demais pra saber se é só uma simples respiração ou um gemido, minha respiração também falha. Estou abaixo da cintura dela, suas mãos também me jogam pra baixo, me empurram pra onde seria a vórtex de um furacão quase incontrolável. Minhas mãos arrancam o frágil e pequeno tecido que ela veste.
- Ah ! - Eu grito talvez por instinto, por prazer, a minha garganta seca.
Ela pede mais, ela quer mais. Minha boca a toca bem devagar, sinto seu gosto. Já molhada, ela sussurra,geme, tentando disfarçar seus gritos que ficam ali engasgados nos sussuros. Minha língua vai chegando até aonde eu quero, minha minhas mãos precisam ajudar minha boca. Bem devagar eu forço meu indicador, fazendo um par perfeito com a minha língua. Ela esta molhada demais agora, meu dedo escorrega levemente para dentro, e ela sussurra mais alto como se pedisse mais.
Meus gritos estão contidos na minha garganta. Mesmo que eu pudesse gritar sem incomodar ninguém, havia outros sentidos que estavam mais aguçados do que o fala, não havia necessidade de se falar nada.
Estou perdido entre as suas pernas, ali agora é o melhor lugar do mundo, ali é onde eu queria estar o resto da minha vida, mas por um tempo curto. Minha boca a movimenta, ela segura minha cabeça e a única coisa que consigo fazer é chupa-la, era a isso que se resumia tudo, minha boca ali nela.
Aos poucos, eu fui me entregando ao momento, acompanhando o ritmo dele como podia. Tentando tomar um pouco o controle.
Ela fazia pequenos movimentos, deixando isso tudo ainda mais excitante, suas mãos querendo tocar meu corpo também, suas mãos querendo segurar algo, segurar aquilo que era o que interessava pra ela, pois nada mais cairia tão bem nas suas mãos suaves, quentes e trêmulas. Eu subo meu corpo, suas mãos tiram minha roupa, aquele volume está na frente dela, ela segura, e o sente ele seus dedos. Está febril, duro, ela segura suavemente com movimentos precisos e toma partido.

Você sorri pra mim com a expressão mais desafiadora que consegue, segura o meu cabelo e força a minha cabeça pra frente. Eu dou a velha risada, retendo agora o controle, tiro as suas mãos de mim e te jogo no chão outra vez. Seguro as suas bolas com uma mão, enquanto sinto o arrepio florescer na sua pele com a outra. Passo a língua nos meus lábios devagar, enquanto movimento a minha mão pela sua virilha. Meus lábios tocam carinhosamente a cabeça, enquanto minha respiração cessa por alguns instantes, minhas mãos passeiam livremente sobre a sua pele quente e arrepiada. Suas mãos não contém o impulso de forçar a minha cabeça para dentro de você, minha língua percorre todo o trajeto te fazendo fincar as unhas no meu cabelo, e respirar profundamente e morder os lábios.


Ficamos ali degustando o ritmo frenético dos nossos corpos, fazendo barulhos que ninguém, além de nós, ouvirá. Propagando o nosso cheiro de prazer por todos os cantos daquela sala felpuda que guardará, agora, mais do que sons mecânicos e instrumentais.

Texto escrito em parceria com Mário Oliva. Gratidão !

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