domingo, 27 de janeiro de 2013

contos de Valerie.


3

-Valerie, tenha calma, eu não vou fugir de nada, apenas me escute. - ele tomou fôlego - Há uma clínica em Whestold, que não custa muito caro e já fui verificar, as condições não são tão boas quanto as da clínica que a minha mãe está, mas as enfermeiras são atenciosas e as dependências são limpas. Mandei fazer o exame de DNA do meu filho com Samantha, assim que o resultado sair, eu decido se ficarei aqui ou me mudarei para Whestold. E eu tenho tanta certeza que tudo dará certo, que vi até uma casa lá, amarela com de janelas marrons. Eu gostaria, que no próximo final de semana você fosse até lá comigo. - ele acariciou meu rosto, eu não podia acreditar naquilo. Eu e Martin, juntos, longe daquela cidade infernal, longe do passado.
   - E se o filho for mesmo seu, Martin ? E se Samantha não quiser se separar de você e entrar na justiça por uma pensão que te tire cada suspiro ? Não é tão simples assim, alugar uma casa e está tudo feito. Hoje em dia a justiça nem sempre fica do lado mais fraco. Você sabe bem.
   - Valerie, a família de Samantha me apoia no que estou fazendo, até o pai dela, com um pouco de relutância, aceitou. São pessoas de bom coração, a índole dela é que é contraria a da família, foi muito mimada desde sempre. Mesmo que o filho seja meu e ela venha com 5 pedras na mão, eu terei quem me defenda.
   - Martin, eu não sei, e a sua mãe ? Como vai mante-la na clínica sem um emprego ? - era bom demais para tudo parecer tão real.
   - Eu terei que conseguir emprego por Whestold, é uma cidade cheia de oportunidades pra um barista ex-gerente dos Correios. - ele parecia mais animado - e infelizmente, mamãe não vai ficar muito tempo na clínica, ela não pode mais ouvir e já se locomove com dificuldades.
    - Eu não sei Martin, há muito o que se resolver ainda. - levantei-me e sentei ao lado dele, deixando a caneca sobre a mesinha de centro, ele passou um braço por cima do meu ombro e segurou a minha mão com o outro.
   - Eu só preciso, que mais uma vez, você diga sim pra mim, pela última vez de sua vida se quiser. - ele pôs a mão no meu queixo e levantou-o até que ficássemos bem próximos.
   - Martin... eu...eu não sei se poderia...
   Então ele depositou seu lábios nos meus, e o gosto de saudade, amor e todo o futuro que poderíamos ter juntos invadiu a minha alma. Nós nos beijamos calmamente, com as lágrimas se misturando, e nossa paixão voltando a dominar nossos corpos, fazendo nos movimentar como um só ser.
  - Sabe por que você nunca gostou dos contos de fadas ?
  - Porque não existe toda aquela melação maldita de príncipes, fadas e vida de princesa realmente ?
  - Também. Mas as princesas nunca tem que lutar por nada, simplesmente o príncipe delas a salva e pronto, eles são felizes para sempre.
  - Sim, por isso eu gosto da história da Brave, ela luta para ficar solteira.
  - É. Até que é bacana.
  - Martin, o que você quis dizer com tudo isso ?
  - Valerie, você nunca gostou das histórias de princesas, nunca quis ser uma, gosta mais da tua independência do que você mesma. E foi por isso que foi tão difícil vir aqui te dizer a verdade. Você está disposta a ter o seu 'feliz para sempre comigo, Merida' ?
  - Eu...Eu amo você Martin. E vou contigo, se tudo ocorrer como planejado.
  - Eu também te amo, minha princesa.


à  Fernanda Delduque
[continua, talvez.]


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