Exausto e com os batimentos a mil, ele deitou nos meus seios, eu apenas o aceitei como fizera mais de dezenas de outras vezes e deixei que ele repousasse ali, no seu 'travesseiro favorito' como costumava dizer. Afaguei seus cabelos embaraçados e fiquei a observa-lo descansar, tão sereno, como um anjo.
Fechei meus olhos por um tempo, e senti a mão dele tocar a minha bochecha carinhosamente. Instantaneamente fui transferida ao nosso primeiro encontro, no primeiro beijo, quando senti a mesma mão grande e quente segurar o meu queixo e me aproximar dele, me dando o beijo mais leve que eu havia sentido na vida. Tinha gosto de curiosidade, ele queria me provar tanto quanto eu a ele. Saímos e nos provamos de 8 a 9 vezes no verão passado, até que a curiosidade matou o gato.
- eu te amo - ele disse me fazendo emergir dos devaneios. Abri meus olhos para a realidade, o carnaval teve seu fim.
- eu te amo também - querendo dizer mais, mas só conseguindo dizer isso.
'eu te amo mais do que em dezembro, mais do que em janeiro, mas eu não posso nem querer te amar mais do que em fevereiro. Eu não posso esquecer da noite em que vadia, bêbada e chapada eu agarrei um qualquer em meio ao bloco de carnaval que passava na rua, e cheia da maldita droga que eu cheirei, eu te vi. Com nojo da minha consciência, que sabia que você estava, assim como eu, nos braços de outrem, e de alguma forma, mesmo depois de todo o acido, no meio de tudo, você veio'
- tenho que fazer café - disse ele levantando.
- tudo bem - eu consenti, imparcial porém com notável felicidade no tom de voz.
'eu deveria de dizer a verdade que eu ainda guardo, que de todo esse tempo, nenhuma droga me entorpeceu tanto quanto aquele que vem de dentro de mim, aquela que os cretinos ousam chamar de amor. Mas eu não digo, eu não admito, você sabe bem, que eu só escrevo.'
Me deu o café, e abóboras recheadas na outra mão, sorrindo e me acariciando com a mão de anjo, olhando pra mim como que vem vê além de uma viciada, olhando pra mim como quem tem esperança de ver o amor.
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