domingo, 9 de outubro de 2011

primeira

- Olá meu amor - disse ele beijando seus lábios com urgência e suavidade
- Hm, oi - disse ela após o beijo recuando - acho que alguém se atrasou...
- Me desculpe, eu esqueci o convite - interrompeu-a entrelaçando seus dedos nós dela.
- Tudo bem se formos lá pra fora? Este lugar está um forno -  estava realmente precisando de ar fresco.
- Sem problemas - apanhou-a pela cintura enquanto ela seguia na frente.

     Era definitivamente mais fresco ali fora, juntaram-se a uma roda de amigos e de risadas. Ela sentia-se estranhamente confortável no abraço dele. Olhou ao redor pra ver se não havia ali algum conhecido que ainda não tivesse cumprimentado, olhou rapidamente a sua esquerda, e sem que o namorado percebesse, ela o viu de canto de olho, um calafrio ousou percorrer-lhe a espinha quando ele a ofereceu um cigarro e ela discretamente negou, afundando-se mais ainda no namorado. Aquela era sua realidade agora, um bocado diferente, decididamente melhor. Ele se levantou no mesmo instante e saiu andando, ela só conseguiu ver o lugar vago e pediu ao namorado que fossem sentar, ele aceitou tranquilamente.
    Observou uma luz e viu que a bituca ainda estava acesa, e ela viu um cigarro quase inteiro.

-Ridículo -  sussurrou para que ninguém pudesse ouvir, fechou os olhos e soltou um riso abafado para a situação.
- Disse alguma coisa? - perguntou o namorado sem entender.
- Nada, só estou com dor no joelho - disse ela desconversando.

    O resto da noite passou rápido demais, como é de costume para os casais. Ela teve a oportunidade de conhecer a mãe do namorado naquela noite também. Não sabia o que dizer, não sabia como e nem porque ela teria ido até o carro, mas agora já estava ali.

- Olá, como vai? - ela tentou parecer o mais calma possível.
- Olá - disse a mãe do garoto um pouco baixo e devagar demais.
- Está com sono mãe? - perguntou o garoto após um longo instante de silêncio.
- Um pouco - disse a mãe fitando discretamente a garota.
- Bom, então é melhor vocês irem - sugeriu a garota, um pouco sem jeito, olhou para os pés e viu que o namorado tinha segurado a mão dela o tempo inteiro, sentiu-se segura com isso.

     Sem dizer nada eles deram a volta no carro, ela deu um beijo calmo como quem diz 'boa noite' e soltou sua mão, esperando que ele abrisse a porta e entrasse no carro.

- Hey, o que é isso? - disse ele usando a mão que ela havia soltado para segurá-la mais perto de si. - cadê o meu beijo? - sem deixá-la responder ele a beijou como quem diz 'eu amo você' e a soltou quando sentiu as bochechas dela quentes de tão coradas.

     Naquela madrugada após receber seu já rotineiro torpedo de 'boa noite’, ela aproveitou ver o sol nascer e sentir a esperança e a felicidade desabrochando no seu peito. Era tão delicioso estar feliz.

Um turbilhão de sentimentos, um milhão de pensamentos. Um cérebro, meio coração, uma atitude, um beijo, meias palavras. Duas despedidas, dois pesos, uma balança. Uma música, meio sonho, meio pesadelo, uma confusão. Um sorriso, um sapo. Uma consciência, uma dívida, uma dúvida. Uma dose, oitenta e oito decepções, meia coragem, uma dor, uma vida, um fim. Um começo, uma consequência, uma felicidade.

' São as pequenas coisas que valem mais, é tão bom estarmos juntos. Tão simples: um dia perfeito. Corre, corre, corre que vai chover! Olha a chuva! Não vou me deixar embrutecer, eu acredito nos meus ideais. Podem até maltratar meu coração que meu espírito ninguém vai conseguir quebrar. '


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